Com a disponibilização da prova, no site do Cespe, referente à primeira prova do exame de ordem de 2009 (não exatamente a primeira desta ano, devido ao atraso na 2008.3, que foi integralmente realizada em 2009), ficou possível fazer a correção de algumas matérias.
A idéia dos posts que seguirão é a de apresentar não só a resposta correta, pois para isso bastaria a consulta ao gabarito, mas também dar subsídios doutrinários e/ou jurisprudenciais mínimos para que se compreenda o porquê do acerto de determinada alternativa.
A prova tomada como parâmetro será a DELTA. As questões de direito penal iniciaram a partir da questão 85:
Ana e Bruna desentenderam-se em uma festividade na cidade onde moram e Ana, sem intenção de matar, mas apenas de lesionar, atingiu levemente, com uma faca, o braço esquerdo de Bruna, a qual, ao ser conduzida ao hospital para tratar o ferimento, foi vítima de acidente de automóvel, vindo a falecer exclusivamente em razão de traumatismo craniano. Acerca dessa situação hipotética, é correto afirmar, à luz do CP, que Ana:
A) não deve responder por delito algum, uma vez que não deu causa à morte de Bruna.
B) deve responder apenas pelo delito de lesão corporal.
C) deve responder pelo delito de homicídio consumado.
D) deve responder pelo delito de homicídio na modalidade tentada.
A questão, a princípio, era bem clara: a conduta de Ana foi a de lesionar (tão somente com esta intenção) o braço de Bruna, que veio a falecer por razão diversa (acidente de automóvel no trajeto até o hospital).
Nesses casos, a explicação literal adviria do §1º do art. 13 do CP:
§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.
O exemplo em questão é comumente mencionado quando se fala em imputação objetiva do resultado: o risco juridicamente desaprovado criado por Ana limitou-se à integridade corporal de Bruna, não lhe sendo imputável o resultado morte, embora haja conexão causal da lesão com o transporte que, no caso, encerrou-se com o resultado morte (pois não se confunde imputação com causação).
A mesma resposta poderia ser obtida, pelos ‘finalistas’, pela limitação através do dolo.
Assim, a alternativa A está incorreta, pois há relação de causalidade (não confundir com imputação) entre a conduta de Ana e a morte de Bruna. Igualmente, as alternativas C e D, pelos argumentos acima expostos.
Resposta: B
